Month: March 2014

A felicidade alheia incomoda?

20140316110712552259eTodo mundo, alguma vez na vida, já ouviu ou vivenciou aquela famosa história da visita que chega e, depois de elogiar a planta de sua casa, vai embora e as lindas rosas murcham e morrem em poucos dias. Ou já experimentou contar uma notícia feliz e, pouco tempo depois, a viu se transformando, estranhamente, em tristeza, quem sabe até em tragédia.

Segundo a crença popular, existe nesses casos algo que vai muito além do que podemos ver ou tocar. Para muitos, está aí o tal olho gordo, ou melhor, um dos sete pecados capitais: a inveja. Mas será que isso não é mais uma invenção de nossas cabeças? É possível a alegria alheia incomodar? Amigos leitores, protejam-se: a inveja não só existe como também pode prejudicá-los, principalmente em tempo de grandes exposições.

Considerado um dos sentimentos mais difusos e, ao mesmo tempo, o que temos mais dificuldades para admitir, a inveja é uma palavra que vem do latim invido, de olhar mau, ou melhor, de um mau-olhado. O mais renegado dos sete pecados capitais é uma emoção inerente à condição humana, por mais difícil que seja confessá-la. Ao mesmo tempo em que o ciúme é querer manter o que se tem e a cobiça é desejar aquilo que não lhe pertence, o invejar é não querer que o outro tenha.

Existe uma fábula que diz que, certa vez, um homem, extremamente invejoso de seu vizinho, recebeu a visita de uma fada, que lhe ofereceu a chance de realizar um desejo. “Você pode pedir o que quiser, desde que seu vizinho receba o mesmo e em dobro”, sentenciou. O invejoso respondeu, então, que queria que ela lhe arrancasse um olho. Moral da história: o prazer de ver o outro se prejudicar prevaleceu sobre qualquer vontade.

É por aí que esse sentimento atua. De acordo com a fundadora do Instituto de Pesquisas em Terapia Quântica, psicóloga, psicanalista e terapeuta quântica Carmem Farage, podemos separar a inveja em material e moral. “Na primeira, queremos ter o que o outro tem e, na, segunda, queremos ser o que o outro é. Essa última é a mais dolorosa das duas. Pode ser, às vezes, muito sutil, fazendo com que o invejoso ambicione secretamente as qualidades de alguém a quem ele admira secretamente”, diz.

Ela afirma que o material pode ser comprado ou roubado. “Mas como tirar de alguém uma qualidade? Então, o invejoso passa a imitar – numa tentativa insólita de ser o que não é e que o deixa sempre muito infeliz, mal-humorado e raivoso com a vida. Essa energia negativa volta contra a própria pessoa, fazendo mais mal ao invejoso do que ao invejado, envenenando corpo e mente”, decreta.

Para a taróloga Arlete Siqueira, o sentimento é um mal forte, que pode até matar. “Geralmente, ele está dentro de casa, entre irmãos e parentes. Existe a inveja que quer ter o que você tem e aquela que não quer que você tenha. A última é a pior delas, é para derrubar”, comenta. Segundo o psicólogo Fabrício Ribeiro, professor de saúde mental e direito do Centro Universitário Newton Paiva, desejamos só aquilo que não temos. “Aquilo que tenho, não desejo. Por isso, dizemos que a inveja é querer aquilo que está na mão do outro. É sempre bom lembrar que a natureza humana não é tão boa assim”, avisa Fabrício.

CUIDADO

Mas, até que ponto essa energia negativa pode destruir o invejado? Como nós, meros mortais, podemos evitar em cair na tentação de invejar? Há como se proteger desse sentimento? Para essas e tantas outras perguntas que rondam o imaginário popular toda vez que se toca nesse assunto, o Bem Viver entrevistou especialistas em diversas áreas. Todos disseram que sim, a inveja existe e é preciso cuidado com ela. E avisam: não grite alto a sua felicidade, a inveja tem sono leve.

Cansaço sem motivos. Calafrios, dor no pescoço e uma sensação de baixa energia para os quais não há muita explicação, pelo menos para os leigos. Já para quem trabalha com o que está além de nossos olhos, esses sintomas podem até ser sinal de alguma doença, porém, podem indicar também que a inveja fez mais uma vítima. “O invejado, se não estiver forte e protegido, pode, sim, sofrer as consequências do mau-olhado que lhe jogaram”, avisa a benzedeira Maria José Limaa.

Por outro lado, aquele que emana a má energia pode adoecer, já que existe nisso a lei da ação e reação. E, para os estudiosos da área, tudo aquilo que se deseja de ruim a alguém volta para si. “Fale menos da sua vida. Isso vale tanto para as coisas ruins quanto para as boas”, aconselha a benzedeira, lembrando que as redes sociais podem, sim, alimentar tudo isso. E repete: “Não se exponha tanto. Sua alegria pode torná-lo frágil e incomodar muita gente”.

Baiana e há 11 anos em Belo Horizonte, Maria José Limaa joga búzios, é taróloga e numeróloga. Bacharel em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especializada em história da África pela Faculdade de Educação (FAE), é também benzedeira, dom que herdou de seus familiares baianos.

Sem cobrar pelo serviço, já que em se tratando de bênção nada pode ser cobrado, ela atende cerca de 10 pessoas por dia em Belo Horizonte e diz que a inveja é algo inerente ao ser humano, e o que muda de uma pessoa para outra é a maneira de lidar com esse sentimento. “Uma mulher, ao invejar o corpo da outra, pode fazer atividades físicas para ter o visual parecido ou desejar que aquela engorde”, compara.

Para Maria, não existe a inveja boa ou “branca”, como já ouvimos dizer por aí. “Esse é um sentimento ruim e o que muda é a maneira como lidamos com ele.” De acordo com ela, o invejoso é detectável, pois geralmente são pessoas que dizem palavras negativas, têm olhares marcantes para determinada coisa e estão no convívio do invejado. “Eles chegam a dizer ‘estou com inveja de você’”, alerta Maria, dizendo que a alegria alheia incomoda e desperta esse pecado capital, tanto é que, para ela, hoje, as redes sociais, em que os usuários expõem seus momentos felizes, servem como um despertar para o mau-olhado. “Há pessoas que gostam de provocar as outras. Isso não é bom, o melhor é sempre ser mais reservado sobre a sua vida.”

Falando assim, esse sentimento pode até parecer algo esporádico na sociedade, porém, “é mais comum do que se imagina”, conforme comenta a terapeuta quântica e fundadora do Instituto de Pesquisas em Terapia Quântica, Carmem Farage. Segundo ela, o Facebook, por exemplo, se tornou um ambiente para as pessoas se mostrarem. “As pessoas nunca postam ali o que elas têm de ruim, mas o que acham que pode provocar no outro. Nessa brincadeira, não sabem a proporção que isso pode tomar e voltar contra elas mesmas.”

Na visão da Carmem, a inveja é uma das energias mais destrutivas que podemos observar naquele que a detém. “O invejoso é aquele que não sabe limitar seus desejos. Aquilo que ele não possui o tortura a ponto de negar aquilo que tem para desejar o que o outro tem. Nossa sociedade, estruturada como está, torna esse sentimento negativo tão comum que passamos a achá-lo normal. Mas não é. Ele consome quem o sente, podendo levar a pessoa a atos muito destrutivos.”

SAUDÁVEL

Reconhecendo que todos temos esse sentimento, Carmem diz que, em certo grau, ele é até saudável. Isso porque, segundo ela, esse pecado capital pode impulsionar a pessoa a melhorar de vida. “Chega a ser necessário, uma vez que impulsiona você a buscar algo. Somos seres desejantes. Porém, em um grau maior, a inveja vai além.”

Ela diz que a insatisfação generalizada trará sentimentos e atitudes indesejáveis na vida do indivíduo: o ódio, o ciúme, a alegria com a desgraça alheia, o desconforto com o sucesso alheio, a maledicência, a calúnia, a imitação e o roubo. “As consequências disso são mágoas, tristezas, lamentações, nostalgia, desprezo, indignação, urgência em satisfazer suas vontades – descontentamento em geral. Uma lista de energias tão negativas que acabam com a pessoa, podendo trazer doenças físicas a médio prazo.”

Artigo para o Jornal estado de Minas redigido pela Jornalista Luciane Evans – 16/03/2014

A inveja

A inveja
A inveja

Um dos sete pecados capitais, a inveja é uma das energias mais destrutivas que podemos observar naquele que a possui.

O invejoso é aquele que não sabe limitar seus desejos. Aquilo que ele não possui o tortura a ponto de negar aquilo que tem para desejar o que o outro tem.

Nossa sociedade, estruturada como está, leva à inveja, tornando esse sentimento negativo tão comum que passamos a achar que é normal! Mas não. A inveja consome quem a sente, podendo levar a pessoa a atos muito destrutivos. O mundo capitalista e consumista faz com que as pessoas queiram ter e ser mais e mais, sem limites.

Podemos separar a inveja em material e em moral. Na inveja material, queremos ter o que o outro tem e, na moral, queremos ser o que o outro é. Esta, a mais dolorosa das duas, pode ser, às vezes, muito sutil, fazendo com que o invejoso ambicione secretamente as qualidades de alguém a quem ele admira secretamente.

O que é material pode ser comprado ou roubado, mas como tirar de alguém uma qualidade? Então o invejoso passa a imitar – numa tentativa insólita de ser o que não é e que o deixa sempre muito infeliz, mal-humorado e raivoso com a vida. Essa energia negativa volta contra a própria pessoa, fazendo mais mal ao invejoso que ao invejado, envenenando corpo e mente.

A insatisfação generalizada causada pela inveja trará sentimentos e atitudes indesejáveis na vida do indivíduo: o ódio, o ciúme, a alegria com a desgraça alheia, o desconforto com o sucesso alheio, a maledicência, a calúnia, a imitação e o roubo.

As consequências disso serão mágoas, tristezas, lamentações, nostalgias, desprezos, indignações, urgência em satisfazer suas vontades – descontentamentos em geral. Um lista horrível de energias tão negativas que – não preciso dizer – acabam com a pessoa, podendo trazer doenças físicas a médio prazo.

Nossa sociedade de consumo que cria pessoas mais interessadas em comprar e acumular bens materiais produz em massa invejosos que se vitimam diante da “má sorte” e desejam a “sorte” do outro.

A vitimização produz na pessoa um desejo de vingança que é causador de grandes acúmulos kármicos, cuja queima gera muito sofrimento – ou seja, quando ela precisar resgatar esses karmas, sofrerá muito. Muitas vezes, as causas vem de vidas passadas e permanecem com a pessoa ao longo das vidas sem que ela possa decifrar em si as origens de tanto mal-estar.

Entre os Karmas que observamos naqueles que geraram a energia de inveja (os invejosos), podemos citar: perder bens materiais de forma inexplicável, perder a fama, sofrer ataques à conduta moral, ser vítima de calúnias ou de processos judiciais, ser roubado, ser incapaz de expressar suas qualidades pessoais.

Para lidar com essa energia, o invejoso deve tomar consciência do que há de inconsciente em suas emoções negativas. Por meio do autoconhecimento, com auxílio terapêutico, pode-se debelar o mal. É preciso ainda desenvolver em si a visão espiritualista da vida e dos propósitos superiores da existência humana para que se possa sanar o desejo de vingança e a sensação de que se é vítima do destino.

Hoje, as terapias mais modernas, aderidas à cura quântica, dão conta de levar o indivíduo não só às origens de seu mal-estar como também de retirar da mente os resquícios energéticos que contaminam a vida da pessoa, cessando a corrente negativa.

Afastar a inveja é fundamental, pois o indivíduo tomado por ela – mesmo a mais sutil – volta contra si mesmo, impedindo que seus potenciais se desenvolvam e, consequentemente, estagnando o processo evolutivo da alma.

Carmem Farage