Month: September 2015

PODEMOS NOS ILUMINAR AINDA NESTA VIDA?

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Sempre que pensamos em iluminação, remetemo-nos à Budha, Gandhi e outros grandes mestres que já se iluminaram ou são entidades diferenciadas do comum, talvez predestinadas a serem quem são.

Esta visão pode nos colocar numa posição de inferioridade fazendo-nos pensar que possamos estar distantes ou impossibilitados de trilhar o mesmo caminho que eles.

Muitas vezes, sem conta, ao entrar em contato com pessoas em meu consultório, diante do sofrimento emocional pelo qual passam, ouço-as dizer, diante dos próprios erros: “Eu não sou santo” ou “Eu sou humano”.

Penso no perigo que corremos em reduzir-nos a um comportamento de fuga ou de negação. Argumento com uma reflexão :
– Eu não sou santo, mas posso ser se eu quiser – e só depende do meu querer!
– Eu não sou humano – eu estou humano, até que eu saia desta condição e me torne alguém para além do humano.

Como? Eis a questão! O que realmente me separa daqueles que possuem uma mente tão avançada que superaram os limites da matéria? Porque existem seres que parecem acima da nossa condição humana?

Hoje já podemos fazer reflexões um pouco mais profundas sobre a natureza dos seres e concluir que estamos ainda submetidos a uma matéria densa, aprisionada em cinco sentidos que nos impede de enxergar que a realidade física não é o que parece ser. As energias materiais são formadas, antes de tudo pelas energias do pensamento. Nosso pensamento pode proporcionar saltos quânticos transformadores, desde que tenhamos consciência de nós.

A palavra (o verbo) que se torna carne, é o início, a origem da vida em nós. Somos seres que, em estado virtual podemos tudo. Temos, portanto, em nosso cerne, o potencial da iluminação. Nosso estado virtual se entrelaça com nosso estado real, fervilhando em nós todas as possibilidades de transformações e mudanças que desejarmos.

Todo o universo é um sistema quântico e a emergência da vida na matéria se dá segundo regras que não se encaixam na ciência do mundo visível.

Para Teillard de Chardin, (1959, p.30), a primazia concedida ao psíquico e ao pensamento no estofo do universo foi um tema central de sua visão. Essa concepção encontra seu fundamento natural na tese de que a emergência da ordem biológica complexa provém da efetivação de estados virtuais, porque estados virtuais são semelhantes à mente, não à matéria.

Ou seja, é a realidade virtual que traz a possibilidade de concretizar-se e não o contrário. A matéria densa só se adensou porque a consciência assim o permitiu.

Quem somos nós que temos permitido em nós e ao nosso redor a materialização da vida?

Vida é sinônimo de consciência. “A vida é o despertar da consciência. Mesmo no reino vegetal, existe alguma espécie de psiquismo difuso, crescendo à sua própria maneira.” (Teilhard,1959, p. 153).

Em nós, seres humanos, a evolução se tornou consciente de si mesma, e o poder da mente se tornou uma importante força motriz. Um desenvolvimento totalmente novo começou quando a evolução entrou no âmbito do pensamento, quando o pensamento e a reflexão nasceram.

No modo clássico e convencional de se pensar a ciência, não há como enxergar que o pensamento exerce alguma função no mundo físico real. É como se o virtual (psíquico) e o real (físico), fossem entidades separadas. Mas não! O universo virtual, nossos pensamentos, criam a vida!
Esta é uma verdade com a qual precisamos aprender a lidar.

Para Chardin, numa evolução consciente de si mesma, corre-se o risco de adoecer. Adoecimento que ele chama de “enfermidade tempo-espaço”. Já que, conscientes, nos deparamos com o devir que nos causa medo, angústia, tristeza, etc…advindos dos perigos de se estar no mundo.

Para sairmos deste estado de adoecimento precisamos repensar a vida, aceitar que o mundo que se vê cria sempre as novas possibilidades. Não ficar paralisados diante das dificuldades momentâneas da vida ordinária nos tira da faixa vibratória densa e nos abre para o nunca antes imaginado, fazendo com que nos iluminemos ainda nesta vida.