Month: September 2016

TEMPO, TEMPO, TEMPO…

Durante todo o tempo de nossa vida estamos às voltas com o quanto o tempo é curto e que não temos mais tempo para nada. Nos novos tempos, de certa forma,  as pessoas livres, normalmente, ao decidirem sobre suas vidas, pensam em investir todas as suas ficham na diversão.

 O tempo da vida vai ficando muito curto e nada produtivo. Sucumbimos ao principio do prazer fácil, fácil!

       Somos seres únicos em constante evolução, portanto, temos que parar e pensar melhor sobre o significado do tempo. O que estamos fazendo com o nosso tempo ( e com a nossa vida)?

             Segundo Jean Laplanche, conhecido psicanalista francês, a ideia do tempo pode ser examinada em diferentes níveis.

          Num primeiro nível, temos o tempo imediato, o tempo presente, aquele em que vivemos conscientemente o dia-a-dia: agendas, horários, afazeres. A este tempo que vamos chamar de “animal”, pois lida com os interesses da conservação da vida. E hoje em dia, tão corrido que não temos tempo para pensar.

        Num segundo nível, observamos o tempo cosmológico, o tempo do mundo, do universo. Vemo-nos inseridos nele como grãos de areia no mar, e vivemos este tempo como se ele não nos pertencesse, pois nossas forças individuais não se compatibilizam com a enormidade do plano maior deste universo. Apenas nos perdemos nele.

      Num terceiro nível, temos o tempo histórico do planeta, o caminhar da humanidade, contabilizado em eras, ciclos, anos… E o tempo da recapitulação, da recuperação, do entendimento, da reconstrução do acontecido, onde trabalham os historiadores, os antropólogos e nós, os psicanalistas.

        A importância do tempo histórico nos remete a um quarto nível, o do tempo subjetivo, aquele que vai dentro de cada um de nós! Neste tempo que chamamos, na verdade, temporalidade, encontraremos o indivíduo em sua plenitude subjetiva, onde nos deparamos com as emoções: angústias, tristezas, sofrimentos, perdas que uma vez instaladas no tempo subjetivo, se perdem na temporalidade.

      Freud nos ensina que, no aparelho psíquico, o inconsciente é atemporal, ou seja, vivemos ainda hoje, no tempo “presente”, com todo colorido afetivo, o que o tempo histórico nos trouxe no passado. Mesmo que tenham se passado centenas ou milhares de anos! (Freud se referiu a uma vida inteira. Hoje lhes digo que podemos  ultrapassar vidas, ciclos, eras!)

      Estas emoções, armazenadas pelo tempo, se repetem em nossos padrões de comportamento, que se adequaram à vida, num esforço “inteligente” de tocar o tempo para frente, congelando-nos numa eternidade, contaminando nossas mentes, embotando nosso saber.

   Será preciso que, inseridos nas leis da vida, nos deparemos com percalços, obstáculos, que nos liquidifique o suficiente, até que tudo se torne homogêneo em nós. Dizem os novos cientistas da física quântica, que a ilusão do tempo existe apenas da estratosfera para baixo, ou seja, o tempo linear como o concebemos é apenas uma “invenção” humana, ou uma ilusão tridimensional, que serve ao propósito evolutivo. Na verdade, somos mais do que podemos nos ver neste momento. E nosso tempo, ampliado a dimensões ainda inimagináveis.

     O processo de terapia, que é um trabalho de apropriação de si mesmo  no auto e halo conhecimento (dentro e fora de nós), permite entender as repetições a que estamos obrigados ao longo dos tempos, tornando-nos capazes de apreender e temporalizar essas experiências. A terapia Lumni é uma nova modalidade terapêutica que proporciona esta síntese, esta integração do ser em todos os seus aspectos temporais.

    Essa história repetitiva terá que encontrar um significado, para que possa se tornar uma historia vivida, de efeitos compreendidos e elaborados, se transformando em memória, ou em “passado”. Ao se tornar passado, paramos de repeti-la e seremos melhores em nosso aprendizado evolutivo no planetinha.

    Peço-lhes que pensem sobre o tempo, sobretudo sobre o tempo perdido em rotinas neuróticas, que impedem que entremos em contato com nossa temporalidade, que é onde habita o divino em nós!

    Não podemos mais viver como se somente tivéssemos o tempo animal, preocupados com a sobrevivência, pois já possuímos instrumentos suficientes para nos mostrar que a vida não acontece por acaso e que devemos ter nas mãos, as rédeas de nossa própria existência.

     Somente iremos conseguir ultrapassar nossos próprios limites na medida em que formos desenvolvendo em nós o tempo subjetivo.