O jogo da baleia azul e outros recursos suicidas

As pessoas têm me perguntado com frequência o que penso sobre jogos na internet que estimulam pessoas, geralmente jovens adolescentes, a cometerem suicídio.

Realmente é algo que nos choca e é difícil ficar indiferente a isso sem exprimir algum sentimento negativo. Sentimos medo, impotência e uma sensação palpável de que o “mundo está perdido! ”.

Com o advento da tecnologia, o mundo muda rapidamente sem que a gente consiga acompanhar. Esta evolução acelerada provoca uma sensação de impotência muito grande, como se não pertencêssemos mais ao mundo. Olhamos para as novas gerações como se o que eles fazem e pensam estivessem longe demais de nós.

Diante disso, como vamos controlar nossos filhos adolescentes, se sequer entendemos sua linguagem virtual? Como vamos dar uma direção acertada e fazer interdições sobre algo que desconhecemos? Corremos o risco de proibir além da conta ou, ao contrário, permitir o que não deveríamos.

Pais, professores, autoridades, simplesmente não sabem o que dizer. Proibir funciona?

Bem, antes de qualquer coisa, preciso dizer o que observo. Quando olho para as pessoas de um modo geral; quando analiso pessoas dentro do meu consultório, observo o quanto é fácil colocar a culpa fora de nós. Ninguém gosta de sentir culpa, então, estamos sempre procurando os culpados fora da nossa casa, fora do nosso alcance.

Sempre foi assim e acho que será ainda por um bom tempo antes que possamos observar as leis de ação e reação funcionando na prática.

Ora, basta fazermos uma pergunta muito simples: Porque alguns, e não todos, utilizam recursos suicidas? Então, esta simples pergunta terá que nos levar a uma conclusão de que o instrumento disponível vai ser utilizado de acordo com o íntimo de cada um.

Quando Santos Dumont inventou o avião, jamais ele poderia imaginar que seria utilizado para fins bélicos. Jamais! Mas foi. Ora, vamos condenar as grandes invenções porque algumas pessoas as utilizam para o mal? Claro que não, não é mesmo?

Quando alguém delibera um jogo em que uma pessoa já sabe que será incentivada a cometer um suicídio, estamos diante de alguém com problemas íntimos. É a intimidade deste indivíduo que deve ser questionada, e não o objeto externo. Uma faca serve para se matar assim como para cortar pão. Ora, sejamos razoáveis. Mata-se quem tem vontade, predisposição e problemas emocionais graves. Mata-se, seja como for, que está em profundo desequilíbrio e encontra um meio. Encontrando um meio propício, dá-se o fato.

Se dermos mais importância ao instrumento utilizado do que ao que realmente importa, estaremos retirando de nós a responsabilidade de interferir na vida do indivíduo que está desequilibrado e precisando de um olhar: dos pais, dos educadores, ou de quem for responsável.

Uma pessoa em desequilíbrio dá sinais! Estamos cegos aos sinais? Não estamos conseguindo ser próximos o suficiente de nossos filhos para percebermos que algo não vai bem? Esta é a questão.

E, os motivos que levam pessoas a quererem tirar a própria vida e às vezes conseguirem, são vários, são individuais, são de uma ordem muito mais subjetiva que não queremos ou podemos admitir.

Precisamos atentar a isso.

Um abraço a todos,

Carmem Farage

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