Month: June 2017

UM OUTRO CAMINHO PARA A PSICANÁLISE

O mundo mudou desde o advento da psicanálise. Desde que Freud nos deixou esta herança, temos visto aceleradas, prodigiosas e profundas transformações em todas as áreas e dimensões: sociais, econômicas, culturais, éticas, espirituais, psicológicas, científicas.

O processo de transformação é inerente à condição da humanidade e nestes 34 anos de prática, pude viver as transformações também na psicanálise, que vem sofrendo ressignificações em sua teoria, gerando mudanças na técnica e na aplicabilidade prática.

Lembro-me quando da fazia a formação analítica, nós, psicanalistas, torcíamos o nariz quando sabíamos de algum “analista” que atendia menos que três vezes por semana. Dizíamos sem titubear: “Isto não é psicanálise”.

Embora naquela época eu tenha compactuado com muitos pensamentos radicais, hoje me considero eclética – gosto de me pensar holística – reconhecendo em mim quesitos necessários para considerar que pratico o que chamamos hoje de psicanálise contemporânea. Digo isto baseada no fato de ter uma formação pluralista, com base em diversas vertentes teóricas e técnicas, sem obedecer cegamente a qualquer uma delas. Estou hoje cursando uma pós-graduação em neurociências e pretendo fazer um mestrado eu neuropsicanálise!

Sinto-me hoje, com o direito de refutar leituras que não me tocam, de forma que venho, aos poucos, criando minha própria identidade com liberdade de assumir meu estilo pessoal.

Concordo com Bion quando ele diz que um analista deve ficar insatisfeito com a própria psicanálise, para que ele possa ampliar os seus conhecimentos e as suas capacidades de compreender e se vincular com o paciente. Vejo que muitos analistas hoje são assim. Conhecedores de uma rede de teorias, coerentes e complementares que embasam e permeiam o setting terapêutico.

As revisões se fizeram necessárias. Antigamente, o bom analista era medido pelo silêncio que produzia em “cena”. Atualmente, não restam mais dúvidas de que se trata de um método anacrônico, com um ranço de superficialidade que denota uma dificuldade do analista em manter um contato afetivo.

Os psicanalistas de hoje são menos herméticos, facilitando a empatia e abrindo-se ao outro numa via de mão dupla.

A psicanálise esteve, por muito tempo, encastelada em uma torre de marfim, mantendo distância das outras ciências, inclusive da psiquiatria, atraindo para si uma posição não muito simpática.

Numa visão mais holística do indivíduo, a psicanálise se depara com as vicissitudes das transformações do mundo, criando novos paradigmas para si, numa visão sistêmica da vida.

Desta forma, se depara com a angústia existencial do indivíduo moderno que, diferentemente da época freudiana, está confuso e perdido quanto à identidade, isto é, quem ele é, como deve ser, para o que e para quem ele vive. A crescente necessidade de busca pelo êxito social coloca-o em constante sobressalto.  Ter que cumprir as expectativas externas, exacerba a carga sobre os ombros, levando-o a questionar sua existência. Também a globalização, que subtrai as diferenças individuais, cria crises de identidade.

Diante de uma época mestiça, globalizada, pluralista, acrescentam-se à psicanálise, novos conhecimentos que facilitam as necessidades atuais de crescimento interno.

Desde que conheci as técnicas de abordagem do inconsciente através da regressão de memória, adotei este instrumento em minha clínica diária.

Nos primórdios da psicanálise, Freud tentou o método da hipnose induzida a fim de possibilitar catarses dos traumas reprimidos. Desiludiu-se com o método, pois não era bom hipnotizador e substituiu-o pela associação livre.

A descoberta recente é de que, sem utilizar indução hipnótica, podemos ainda assim ordenar ao inconsciente que se revele, utilizando uma técnica de alteração do estado de consciência, sem, no entanto, que o paciente esteja hipnotizado. Basta um relaxamento corporal com uma ordem verbal por parte do terapeuta.

Retornando ao ponto inicial de Freud, podemos fazer o levantamento arqueológico e retornar à fonte dos sintomas, utilizando, não a indução, mas a associação livre em estado alterado de consciência. Pedimos que se fale tudo o que vem à mente e decodificamos as imagens e ideias que surgem, através da análise.

Associando à decodificação, atuaremos com as interpretações conscientes e consequente atualização e elaboração dos significados do conteúdo produzido.

O resultado será o conhecimento profundo de si mesmo e, como consequência, as mudanças adjacentes a este reconhecimento acontecerão.

Mais recentemente, a filosofia da física quântica se abriu para nós e num advento transformador, podemos hoje perguntar quem somos nós e a resposta virá.

Unindo as três técnicas: associação livre, regressão de memória e alteração do estado de consciência atingindo outras camadas quânticas da realidade interna e externa, nasceu a Terapia Lumni, que desbrava o ser como nunca antes se pôde ser!

Carmem Farage

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